A satisfação e a eficiência do operador do direito : Galvão & Lopes – Sociedade de Advogados
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Por Filipe Charone Tavares Lopes

O curso de direito está cada vez mais presente na mentalidade de muitos dos estudantes que prestam vestibular, atraídos por altos salários ou mesmo pelo famoso “leque de opções” que o curso proporciona. Isso é fato.

Quando o mesmo aluno termina a faculdade, a situação parece que inverte, implantando na mente dos jovens um pensamento inseguro de que o único caminho viável seria o concurso público, caçando editais e fugindo a todo o custo da advocacia ou do magistério.

Em verdade, muitas das falhas e do caos de todo o nosso sistema judiciário e do serviço público não se deve totalmente a falta de profissionais ou mesmo incompetência das pessoas que integram os quadros de servidores.

De fato, grande parte deles são muito mais hábeis e eficazes que as pessoas que integram o serviço privado, e um servidor público motivado representa um grande auxílio no atendimento das necessidades públicas, como mais um necessário braço de todo o sistema jurídico.

O que vem acontecendo é que as pessoas têm buscado valores que passam longe da verdadeira vocação profissional, ficando em muitas das vezes presos por uma estabilidade em uma vida medíocre distante da verdadeira satisfação de se trabalhar naquilo que realmente lhes completam como profissionais e como pessoas.

De fato, todos os vencedores não o são por acaso, e aqui não falo apenas em dinheiro, pois existem inúmeros funcionários públicos com uma situação econômica muito boa e que encaram o trabalho como um verdadeiro fardo insuportável, o que não pode ocorrer.

O fato é que o funcionário público que atende de forma eficaz com sua função é que faz a diferença, colaborando para o progresso da nação. O país precisa de auxiliares, juízes e promotores motivados e satisfeitos com suas funções, o que sabemos que efetivamente existe em nossa labuta diária.

A juventude deve refletir naquilo que realmente lhe satisfaz e correr atrás de seu sonho, afinal quando se trabalha naquilo que se gosta as coisas fluem muito mais naturalmente, independente de dinheiro, segurança ou importância. O juíz julga com maior sabedoria e imparcialidade, o técnico atende de forma mais cortês e o promotor defende a lei de forma mais acirrada.

Se a via escolhida for enfim um concurso público específico (não concurso público em geral, pois isso não é busca de ideal, mas sim desespero, já que quem quer tudo, ao mesmo tempo não quer nada), parabéns!  A sociedade precisa de servidores públicos inspirados.

Deverá focar em seu ideal e seguir aquela carreira pública que realmente lhe agrada e não ficar “atirando para todos os lados”, pois aquele que passa em qualquer concurso apenas para usufruir das garantias não auxilia em nada, apenas está pensando “em seu próprio umbigo”, o que desde já desvirtua o instituto do serviço público e burocratiza ainda mais um sistema que já se encontra bastante travado.

Caso a via eleita seja a advocacia, não deverá ter medo em seguir seu sonho, pois estará traçando um caminho brilhante e que pode render frutos muito mais produtivos financeiramente e pessoalmente que os decorrentes do serviço público.

Deverá ter em mente que apesar de existirem muitos advogados, poucos vêem na advocacia o seu ideal de vida, o que os torna frágeis e facilmente superáveis no mercado de trabalho, que é voraz e não perdoa incompetência ou mesmo displicência.

Por certo o caminho não será fácil, pois a advocacia é uma eterna guerra, onde vence aquele que possuir a maior garra e os melhores argumentos. Precisa de coragem para enfrentar um começo difícil, mas que constrói um profissional mais forte a cada caso.

Aprende-se com os acertos e com os erros. Conhece-se as reações humanas e as tendências dos vários juristas com os quais se relacionam e acreditem, são muitos!

Do mesmo modo deve-se evitar utilizar da advocacia como uma mera escada para sobreviver até passar em um concurso qualquer, sob pena de tornar-se o pior dos profissionais, prejudicando seus clientes e a sociedade, já que o advogado que não esteja focado em seu escritório e em seus processos é o pior dos rivais em uma lide.

Por fim, se a via escolhida for o magistério, não poderia haver forma mais nobre de colaborar com o direito, instruindo novas mentes a construir nossa sociedade de forma mais justa.

Poucas alegrias podem ser tão recompensadoras quanto saber que os esforços de seu trabalho formam essenciais à formação centenas de profissionais dos mais variados ramos. A certeza de que a semente plantada em cada um dos estudantes poderá resultar nos mais belos resultados.

O problema é ser professor apenas por falta de opção, já que vai passar um grave desestímulo paras os alunos e formar uma série de profissionais frustrados que verão o estudo como apenas mais uma etapa a ser transposta, e não como suas vidas.

É certo que o mundo competitivo de hoje acaba por nos obrigar a seguir passos por nós nunca imaginados, como por exemplo advogar por um tempo até passar no tão almejado cargo público.

Neste caso, enquanto estiver advogando, o profissional deverá ser o verdadeiro advogado, estudando sim, mas estando ciente de que o que seu cliente procura não é um “concurseiro”, mas um advogado. Assim estará colaborando coma sociedade sem fugir de seu ideal.

De fato se os atuais e futuros profissionais mantiverem o pensamento voltado em seu ideal o benefício será de todos pois se dará o real fortalecimento de toda a nossa sociedade, bem como com a reconstrução do bom nome do serviço público, da advocacia privada ou do magistério. Isto é aproveitar de forma correta as vertentes que o direito nos proporciona.

Um artista não consegue produzir a verdadeira arte se não gosta daquilo que faz, e trabalhar fazendo algo que lhe satisfaça profissional e pessoalmente é a maior de todas as artes, pois lhe refresca a alma.

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